Precisamos de Darcy

 

Para existir e cumprir efetivamente sua função social, uma universidade deve se apoiar em três pilares: ensino, pesquisa e extensão. É fácil para a sociedade perceber a realização do primeiro e do último. Temos o ingresso de novos estudantes, as aulas, as formaturas, as atividades de apoio à comunidade externa. Quando o assunto é pesquisa, contudo, torna-se mais difícil visualizar ações e resultados, ainda que tenhamos números sobre projetos ou sobre a inserção de pesquisadores em periódicos científicos.


A pesquisa marca o aprofundamento do conhecimento já existente, é a busca pelo novo, por soluções aos problemas cotidianos. Ela foge do trivial. Talvez por isso seja tão desafiador torná-la palpável, facilmente reconhecida como algo essencial para o progresso não apenas da universidade, mas de toda a sociedade. Vencer esse desafio passa, necessariamente, pela melhoria da forma como nós, do mundo acadêmico, nos comunicamos com a comunidade externa. Em outras palavras, tornar público o que fazemos na área de ciência é tão importante quanto fazer ciência.


É por isso que relançamos Darcy, a revista de jornalismo científico e cultural da Universidade de Brasília. Gestada e nascida em 2009 e interrompida nos últimos três anos, a publicação tem a proposta de trazer – de forma amigável e didática, sem a estrutura rígida da linguagem acadêmica – os resultados das pesquisas conduzidas por docentes e pesquisadores ligados à UnB. Darcy ressurge para que o nosso trabalho chegue de modo mais efetivo aos que o sustentam e aos que dele podem se beneficiar.


E temos muito a dizer. Somente em 2015, a UnB participou de 666 projetos de pesquisa – para citar apenas os que foram levantados pela Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) e pela Diretoria de Apoio a Projetos Acadêmicos (DPA). Também em 2015, foram defendidas 1.898 teses e dissertações e, no ano passado, esse número chegou a 2.067 – e segue sendo atualizado, uma vez que as homologações ainda estão ocorrendo. Quantas coisas novas, curiosas e surpreendentes não estão “escondidas” aí?


A nova Darcy ressurge em contexto muito distinto daquele em que nasceu, e justamente por isso torna-se mais necessária. Nos últimos anos, a UnB dobrou de tamanho. Estamos agora consolidados em quatro campi e somos também mais diversos. Temos graduados, mestres e doutores de vários pontos do Distrito Federal, do Brasil e do mundo, que trazem consigo a bagagem social e cultural de realidades que extrapolam o Plano Piloto. O conhecimento produzido por essas pessoas precisa ser disseminado. Uma universidade que permanece fechada em seus muros, ainda que com excelência acadêmica, subestima o potencial de sua missão institucional.
Também é significativo e simbólico que o renascimento da revista ocorra neste momento, quando a UnB completa 55 anos de existência. A campanha institucional deste ano, que tem como tema Ciência e Ousadia, resgata a proposta original da criação da Universidade. O relançamento da Darcy insere-se nesse contexto. É nosso desejo recuperar o espírito inquieto, ousado e transformador que guiou os fundadores da UnB – o antropólogo Darcy Ribeiro e o educador Anísio Teixeira.


Não à toa, este número especial coincide com o aniversário da UnB e de Brasília. Por meio de 50 personagens e cinco momentos singulares de nossa história, prestamos homenagem a todas as pessoas que dão vida à Universidade. A partir da próxima edição, que será lançada em julho, mostraremos novas e renovadas dimensões da cultura e da pesquisa universitária, com qualidade gráfica e jornalística. A missão é arrojada, e, por isso, muito bem-vinda. Vida longa à Darcy!

 

Márcia Abrahão Moura