A dimensão global e o pensamento crítico

 

Thaïs de Mendonça Jorge, editora

 

No cenário atual de globalização, as universidades precisam formar seus estudantes para as necessidades das comunidades, dos mercados de trabalho locais e internacionais, e para as grandes discussões que estão se dando na contemporaneidade. Ao mesmo tempo e como base dessa ideia, a dimensão internacional da pesquisa, que se ramifica no ensino, na extensão e na gestão, é um estímulo ao pensamento crítico e à investigação das complexas questões que avassalam a pós-modernidade tardia.

Na edição 17 da revista Darcy, já havíamos enfrentado uma das vertentes da globalização, que é o tema das Migrações (Além das fronteiras: estudo das migrações abre caminhos à integração transnacional). A reportagem de capa da Darcy 18 também foi um assunto dos mais inquietantes, a mobilidade urbana (O mundo não para. Desafios da vida móvel nas grandes cidades). Já nesta Darcy 19, vamos aos extremos do mundo – o continente antártico.

Foi o então editor da Darcy, professor Sérgio de Sá, que aprovou a ida da repórter Vanessa Vieira à Antártica. Em 2017, ele aceitou o convite do pesquisador do Instituto de Ciências Biológicas Paulo Câmara, que resolveu privilegiar a divulgação científica e dar oportunidade à Darcy de acompanhar a missão. 

Na época, não houve fotógrafos dispostos a viajar e o designer Marcelo Jatobá se apresentou. O resultado do esforço dos dois representantes da Secretaria de Comunicação (Secom/UnB) os leitores verão no Dossiê Antártica, a gigante (des)conhecida, a partir da página 8. O dossiê é, portanto, mais uma contribuição à ideia e à reflexão sobre a internacionalização da Universidade de Brasília, complementado pelo artigo do professor Enrique Huelva, à página 6, e por textos de Marcos Amorozo e Nair Rabelo.

“Amor e veneno de cobra servem tanto para matar, quanto para curar”, constata a repórter Serena Veloso, em sua interessante matéria (página 48) sobre uma nova espécie de jararaca, que ela foi descobrir em expedição ao Delta do Parnaíba (Piauí). Já Thaíse Torres se atreveu foi nos terrenos da religião, ao investigar os terreiros de influência africana no Distrito Federal (página 40), enquanto Flávia Said e Victor Barbosa provaram que a profana cerveja pode ser motivo de teses e dissertações na UnB.

Darcy 19 traz ainda reportagem de Guilherme Alves sobre o banco de sangue canino do Hospital Veterinário da UnB (página 44), que – com o aumento da população de cães em Brasília – levanta a necessidade de doações também nesse setor. Publicação dedicada ao chamado jornalismo científico, a revista destaca outras pesquisas importantes da Universidade, como na reportagem de Luana Melody (página 30) sobre os rituais de morte dos zulus africanos e um estudo sobre letramento e linguagem em zona rural do Maranhão, no texto de Dayana Hashim.

Boa leitura!