SOS mobilidade urbana

 

Paulo Paniago, Paulo Renato Souza Cunha e Thaïs de Mendonça Jorge, editores

 

Todo dia, quando milhares de cidadãos brasileiros saem de casa de manhã para ir ao trabalho, encontram-se diante de uma enorme dificuldade: o trânsito pesado que praticamente os imobiliza. É um drama que vem tomando conta dos grandes centros urbanos e Brasília não está isenta de sofrer as consequências de situações mal resolvidas no que diz respeito a apresentar soluções para essa crise.

 

A partir de uma reflexão sobre qual o futuro possível para a mobilidade urbana no país, o dossiê da revista Darcy 18 se dedicou a discutir os problemas envolvidos nesse dilema atual. Procurou-se apontar algumas soluções possíveis para o deslocamento humano em regiões metropolitanas, com concentração especial no caso de Brasília, para onde o interesse dos pesquisadores da Universidade de Brasília se volta preferencialmente. Os repórteres mergulharam para compreender a dimensão do problema, mas é preciso considerar que questões econômicas quase sempre pautam as decisões governamentais, nem sempre tomadas no interesse da maioria dos cidadãos, ainda dependentes de um transporte público de qualidade duvidosa.

 

Em vez de pensar a médio e longo prazo em soluções coletivas, o governo quase sempre insiste em anunciar políticas que resolvem os problemas de montadoras de veículos particulares, com isso colaborando para que os índices de desemprego dos trabalhadores permaneçam em patamares razoáveis, o que é apresentado pelo governo como solução para outra natureza de problema. É um paliativo e, em algum momento, o montante do problema terá que ser enfrentado com mais seriedade por algum governo futuro, talvez quando todo o país tiver se transformado num grande engarrafamento e os demais setores da indústria reclamarem da impossibilidade de trabalhar e produzir.

 

O cenário fica ainda mais preocupante quando se observa que diversos projetos com promessas de diminuir o fluxo de automóveis nas vias de cidades brasileiras são prorrogados ou mesmo abandonados pelos responsáveis. Caso notável é o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Brasília. O plano inicial era proporcionar à população meio de transporte ecológico, reduzir engarrafamentos em duas importantes avenidas da cidade: W3 Sul e W3 Norte. As obras deveriam ser entregues antes da Copa do Mundo, quando o VLT serviria também de alternativa para turistas e moradores chegarem até o Estádio Mané Garrincha durante o torneio futebolístico. Todavia, em lugar do deveras aguardado vagão verde, Brasília vê crescer novos corredores de viadutos, que favorecem apenas carros e ônibus.

 

A revista Darcy sabe que muito já foi dito sobre as inúmeras dificuldades em sistemas de transporte brasileiros: sim, há automóveis demais lá fora e espaço de menos. Por isso, entende que é necessário concentrar-se na busca de soluções, discutir novas saídas sem promessas fantasiosas, o que pode ser feito para otimizar a mobilidade urbana de maneira sustentável e objetiva. Não se tem a pretensão de que este número 18 seja um manual definitivo. É um grito de socorro.