1 - inauguração

 

 

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Criada por lei em 15 de dezembro de 1961, pelo então presidente da República João Goulart, a Universidade de Brasília teve sua inauguração oficial em 21 de abril de 1962. Nessa data, saiu do papel o sonho do antropólogo Darcy Ribeiro e do educador Anísio Teixeira, que pretendiam reinventar a educação superior, entrelaçar as diversas formas de saber e formar profissionais engajados na transformação do país, por meio de uma instituição sem fronteiras em que as áreas do conhecimento estivessem em constante diálogo. Nas linhas dos prédios da UnB, traçadas por Oscar Niemeyer e outros grandes arquitetos, começaram os primeiros cursos experimentais em Direito, Economia, Administração e Arquitetura e Urbanismo. Cientistas, artistas e professores das mais tradicionais faculdades brasileiras foram convidados e vieram assumir o comando das salas de aula da jovem Universidade.

 

 

2 - Ditadura

 

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Antes mesmo de existir a UnB, sua proximidade com a Esplanada dos Ministérios foi vista por autoridades como obstáculo – não queriam que estudantes interferissem na vida política da cidade. Poucos anos depois de sua criação, porém, o receio ganhou proporções de ameaça e, com o golpe militar instaurado no Brasil, iniciaram as invasões ao campus da Universidade. Entre a primeira, em 1964, e a última registrada, em 1977, professores e estudantes foram perseguidos, salas de aula, escritórios e a Biblioteca Central foram revistados e interditados diversas vezes em busca de armas e material de propaganda subversiva. Houve passeatas, coação, violência, morte e desaparecimentos, como o do líder estudantil Honestino Guimarães. Em emblemática ocasião, em 1965, 209 professores e instrutores – quase 80% do corpo docente – pediram demissão coletiva como protesto contra a repressão sofrida na UnB.

 

 

 

3 - Retomada democrática

 

retomada democraticaAs invasões militares à Universidade de Brasília só pararam com o início da abertura política no país. Em maio de 1984, o professor Cristovam Buarque foi o primeiro reitor a ser eleito pela comunidade universitária. Antes de assumir o cargo, no ano seguinte, o cenário era de manifestações para que o matemático Geraldo Ávila, nomeado reitor pelo então presidente João Figueiredo, saísse. Ávila ficou apenas seis dias na função. Em 19 de março de 1985, renunciou. Ocupou seu lugar o vice-reitor, Luiz Otávio Carmo. Em 26 de julho daquele ano, Cristovam assume e homenageia todos os professores que haviam pedido demissão coletiva 20 anos antes. Daí em diante, foram também eleitas democraticamente outras sete pessoas para o cargo: João Claudio Todorov, Antônio Ibañez Ruiz, Lauro Morhy (reeleito), Timothy Mulholland, José Geraldo de Sousa Junior, Ivan Camargo e Márcia Abrahão.

reitores

 

 

 

4 - Pioneirismo

 

foto pas    beatriz ferrazDesde sua criação, a UnB se destacou por ser inovadora. Ainda durante o processo de redemocratização do Brasil, por exemplo, deu início às discussões para implantar um novo formato de ingresso de alunos na instituição, que considerasse o desempenho dos estudantes ao longo de todo o ensino médio. Surgiu, assim, em 1995, o Programa de Avaliação Seriada (PAS), aplicado pela primeira vez em 1996. Em 20 anos, 28.210 candidatos entraram na UnB por meio dele. Em 2004, outra inovação: a Universidade de Brasília se tornou a primeira federal a adotar cotas para negros. Desse modo, passou a ser obrigatória a partir daquele ano a reserva de 20% das vagas para aqueles que se declarassem negros no ato da inscrição e optassem por concorrer nesse sistema. Também em 2004, convênio firmado com a Fundação Nacional do Índio (Funai) permitiu a inclusão de dez indígenas por semestre nos cursos de graduação da Universidade, conforme as necessidades das tribos e a disponibilidade de vagas na instituição. Tudo proposto e executado anos antes de existir a chamada Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012), o que mostra a vanguarda da UnB.

  

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5 - A UnB como ela é hoje

 

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