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Quarenta e três mil e duzentos segundos. Setecentos e vinte minutos. Ou 12 horas. Esse é o tempo estimado que o engenheiro civil Victor Hugo Souza Oliveira dedica diariamente aos estudos, na Biblioteca Central (BCE), em busca da aprovação em concurso público. Atravessar as horas ali, diante de uma pilha de livros, é hábito vindo da graduação, concluída em 2016 na UnB.


O concurseiro de 24 anos se desloca de casa, em Vicente Pires, a cerca de 20 quilômetros da Universidade, para encontrar na BCE um espaço tranquilo onde possa enveredar pelo conhecimento. “Independente de como você está se sentindo, de qual é a sua pegada de estudo, vai ter um lugar para você ali”, avalia sobre as oportunidades trazidas pelo local.


Oito da manhã. Victor chega às portas de seu quartel general de estudos. Adentra a área da “discoteca” – apelido dado pelos estudantes à entrada do espaço devido à movimentação – e procura um canto para sentar. A escolha depende das intenções do aspirante a servidor público. No início do semestre, para não ser muito incomodado, a ala de estudos à esquerda do subsolo é a ideal.


Com o andar dos meses, os estudantes começam a movimentar a seção. A calmaria se esvai e ele tem de migrar – dessa vez para o setor de Referência, onde o silêncio predomina. “Quando o semestre começa a ‘pegar’ vai todo mundo sentar no subsolo e vira um converseiro danado.”


Conteúdos da engenharia civil e do direito administrativo, resumos, questões de concursos para resolver. Assim começa a jornada. Apostilas, livros, computador, jornal, uma garrafa d’água, outra de café. Na mesa, caos total. Mas a cabeça continua centrada. Dez horas. Pausa para um copo de cafeína e tragos de cigarro para melhor reverberar as ideias. No retorno, resumos, questões, resumos, questões. Já são 11h30. A manhã se vai e com ela o estômago reclama um afago. Victor procura a melhor sombra para se acomodar no exterior do prédio e saca da mochila a marmita para um breve almoço.

 

Meio-dia. O engenheiro conclama um descanso para a mente, em um revezamento entre notícias, romances e cochilos, quando o cansaço o abate. O tempo voa: são 13h. Precisa voltar à sabatina. Mergulhos em apostilas e livros sobre conteúdos básicos. Língua portuguesa, goles d’água, raciocínio lógico, sorvos de café, legislação e... PAUSA. Quatro da tarde. A saída ligeira para mais alguns pitos abre caminho para novas amizades. “É muita gente que acabo conhecendo. Aqui é o lugar onde pessoas de todos os cursos se encontram. ”

 

Continua com as revisões até 20h, entremeadas por um descanso às 18h. É chegada a hora de partir e se renovar para o próximo dia. “Achei que ia ser um saco estudar, mas é o que eu quero. Vou poder trabalhar certinho, ter a minha rotina.” O futuro na carreira pública está traçado em dias, horas, minutos, segundos.