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Do homônimo mundialmente famoso, Wiliam Biserra herdou o nome e o gosto pela literatura. Feliz coincidência ou talvez uma sina, Shakespeare também é objeto de estudo do professor do Instituto de Letras. Paixão e intensidade, características que transcendem as obras e transbordam do olhar do docente.


Wiliam nasceu no Gama, mas passou toda a infância no Ceará. Voltou para o Distrito Federal com 11 anos. Seu primeiro contato com a Universidade de Brasília foi no final da década de 1990, próximo de completar 18. Foi ao campus Darcy Ribeiro – um ambiente totalmente estranho à sua realidade social – com um amigo de Santa Maria. “Era uma coisa alienígena. Ninguém da minha família havia feito curso superior. Eu não sabia direito o que era vestibular.”


Mesmo assim, sentiu-se em casa. A identificação foi tamanha que abriu a janela do carro e gritou: “UnB, me espera.” Com vaga ideia sobre o que era a Universidade, foi atrás da sua intuição. Analisou suas aptidões, possibilidades e entrou para o curso de Letras. Passou pelo Francês, formou-se em Português e em Inglês e continuou com o mestrado e o doutorado em Literatura. A instituição foi praticamente sua casa por uma década.


Decidiu pela docência nesse percurso, ingressando no quadro do Departamento de Teoria Literária e Literaturas em 2014. “O sentimento de gratidão que tenho por essa Universidade é absoluto. De fato, é minha alma mater, a mãe que me alimenta, que me nutre”, emociona-se.


A paixão pela UnB se estende à profissão. Para Wiliam, ser professor é colecionar momentos de beleza. “Ensinar é levar alguém ao seu destino. É gesto de amor e prazer. É transformar o conhecimento, o livro, a literatura. A Universidade nasceu de uma utopia, pelo esforço de pessoas sonhadoras e teimosas, espírito que mantém esse meu amor vivo”, diz.


A UnB foi signo de mudança na vida do docente. Por isso, ele faz questão de deixar um recado aos alunos. Que se abram à experiência, à alteridade, à diferença. Que habitem a Universidade e deixem-na habitá-los. Sentir é o caminho.