dsc 0024Transformar alunos em águias, para voar alto, para alcançar grandes objetivos. Ricardo Fragelli, 39 anos, acreditava ser essa sua missão como professor. Foi um poema de Victor Hugo que o fez mudar de ideia. As lições: a águia domina o espaço; o rouxinol, com seu canto, a alma. Então, por que não fazer águias que cantem, que dominem a ciência com propriedade, profundidade, arte, paixão e solidariedade?


Com esse pensamento, o professor da Faculdade do Gama encerra sua palestra em conferência dedicada a mostrar experiências que podem mudar o mundo. O vídeo na plataforma YouTube possui quase sete mil visualizações e aborda o método Trezentos, criado pelo pesquisador com o objetivo de promover aprendizagem ativa e colaborativa em sala de aula, melhorando os índices de aprovação.


A metodologia, premiada nacionalmente, integra uma série de inovações de Fragelli. A partir da premissa de que “uma pessoa importa”, o professor mudou o cenário tradicional de reprovações em cálculo 1 e passou a incentivar a cooperação entre os estudantes.


Dividiu a sala em grupos, mesclando alunos com alto e baixo rendimento na primeira prova. Aqueles com notas ruins podem fazer nova avaliação, desde que cumpram metas, e os demais também ganham chances para aumentar suas notas.


“A melhora dos meninos que são ajudados é em torno de 100% e o aumento geral da turma, 40%. Mas o foco não é o desempenho. É fazer com que o estudante olhe para a pessoa do lado.”


Ricardo Fragelli é “filho da UnB”. Natural de Anápolis, em Goiás, fez Engenharia Mecânica, mestrado e doutorado na Universidade de Brasília. As ideias de métodos diferenciados de educação começaram ainda na graduação. Para não depender financeiramente dos pais, começou a dar aulas particulares logo no início do curso.


Colocar o aluno como protagonista do processo de aprendizagem e recuperar seu gosto pela ciência motivavam o jovem professor, que confessa sua estratégia da época: apresentar problemas divertidos, mais relacionados à lógica do que à matemática. Aos poucos, tirava a primeira e deixava a última.


“A maioria dos alunos tinha nota entre zero e três. Na primeira prova, depois da minha aula, ele tirava três. Na segunda, três de novo. Na terceira e quarta, dez. Depois eu era demitido porque ele não precisava de professor particular”, ri.


Fragelli coleciona 11 prêmios na área de Educação. Além do método Trezentos, os eventos Rei ou Rainha da Derivada e Summaê são iniciativas famosas e reconhecidas. Qualquer professor, de qualquer nível e área, pode reaplicar as metodologias, fato que já ocorre em várias instituições do país.


“Recuperar a autoestima do estudante é um alimento para alma. Sou motivado pelo pensar, e as pessoas esperam isso de quem integra a Universidade de Brasília. Sinto-me muito honrado e feliz.”