Suzanna Muller22Mãe de artistas, bibliotecária, docente, pesquisadora com pós-doutorado. Características que se referem à professora emérita da Universidade de Brasília Suzana Mueller. Apesar dos títulos e do conhecimento de causa, Suzana é tímida e foge um pouco de holofotes. “Você não prefere entrevistar meu marido? Ele também é emérito”, questiona, com humor.


Suzana e Charles Mueller, emérito desde 2007, vieram do Paraná para a UnB em 1972. “Vim para trabalhar na Biblioteca e ele, para ser professor de Economia. Naquela época, a biblioteca estava provisoriamente no prédio da engenharia”, lembra Suzana. “E tinha uma filosofia bem interessante, não queria ter nenhuma filial. Era realmente o centro social da Universidade.” As outras universidades tinham múltiplas bibliotecas dispersas, o que gerava duplicações desnecessárias de acervo e de processos técnicos e administrativos.


A BCE também era sempre palco de visitas quando autoridades de outros países vinham encontrar o presidente da República. “Veio o primo do atual imperador do Japão, uma médica romena dermatologista, um chanceler alemão. A biblioteca era showbizz”, brinca.


Inaugurada em 1973, a atual biblioteca tem capacidade para um milhão de volumes e dois mil usuários em seus 16 mil m2. No início, tinha a proposta de funcionar 24 horas por dia. “Foi muito inovadora e manteve um serviço de referência. Eu era uma das bibliotecárias e participei ativamente da mudança para o novo prédio”, conta Suzana.


Com o tempo, tornou-se chefe daquele serviço, se especializou – fez mestrado, doutorado e pós-doutorado nos Estados Unidos e na Inglaterra – e abraçou a docência e a pesquisa em comunicação científica e ciência da informação.


Também teve papel fundamental na criação do mestrado em Biblioteconomia, que completa 40 anos em 2018, e do doutorado, que tem 25 anos. “Entre os anos 70 e 80, os cursos universitários começam a exigir, nas contratações, especialização ou mestrado. Isso aumenta demais a demanda sobre a biblioteca e faz com que exista um avanço na biblioteconomia também”, lembra.


Com 45 anos de UnB, aposentada desde 2011, ela ainda acompanha orientandos no doutorado em Biblioteconomia. “Ainda falta um, que deve defender até o início do ano que vem”, calcula. Suzana, porém, já passou para um colega a liderança do grupo de pesquisa que fundou em 1994. “Acredito firmemente na renovação. E ser emérita, já reconhecida, é uma zona de conforto muito grande.”


Apesar do coroamento de Suzana na academia, a fama coube ao filho André, o André X, baixista da banda Plebe Rude. Hoje ele concilia a vida de músico com a de servidor do Banco Central. “Tiveram muito sucesso, ganharam disco de ouro. Fiquei conhecida como a mãe do André”, ri. O outro filho, Bernardo, também teve banda (Escola de Escândalo) e fama na Brasília roqueira. “Vieram os tempos difíceis e ele se interessou pela academia. Hoje, é professor da Face.” Os dois estudaram na UnB: Bernardo, Economia; André, Arquitetura.