15032017 jessicasousa11 betomonteiroPara o “bom dia”, sorrisos. Para o “boa tarde”, alegria. É assim que Jéssica de Sousa, 23 anos, recebe quem frequenta o Restaurante Universitário do campus Darcy Ribeiro. A jovem é funcionária da Sanoli, empresa terceirizada responsável pelo serviço do RU.


Para cumprir sua jornada de oito horas de trabalho, acorda às 4h40, se apronta e, de ônibus, faz o trajeto Taguatinga Norte – Plano Piloto. Às 6h30, chega ao RU. Toma café da manhã e vai para a catraca esperar os alunos. “É um ambiente agradável. Convivemos com histórias e estilos muito diferentes. A diversidade é enorme.”


Espalhar cumprimentos felizes parece ser algo nato à recepcionista. Já valorizar os pequenos gestos, filosofia de vida. “Não gosto de relações robóticas, prefiro interagir como ser humano. A acolhida com carinho e simpatia pode mudar o dia de uma pessoa”, acredita. Ela conhece alguns alunos pelo nome e até saiu com um estudante de Engenharia para tomar um açaí. “Trocamos mensagens até hoje.”


Priorizar relações de afeto é característica que vem de berço, segundo Jéssica. “Minha mãe me criou com muitas demonstrações de amor. E a gente vive num mundo tão caótico. Não vale a pena ficar com a cara fechada, ranzinza.”


Apesar de trabalhar na Universidade, não costuma andar muito pelo campus. Nos momentos de intervalo ou fora do horário de trabalho, arrisca poucas caminhadas pelo ICC ou à Biblioteca. A convite de um amigo, levou o sobrinho de 11 anos para conhecer o Instituto de Ciências Biológicas. “Ele ficou apaixonado e disse que quer ser biólogo.”


A garota tem planos de entrar para a faculdade. Sonhou em ser astronauta, passou para Biblioteconomia na Universidade Federal do Maranhão – não se matriculou porque perdeu o prazo. Agora, está inclinada a tentar algo relacionado com a área de saúde. “Enfermagem ou Medicina, quem sabe.”


A UnB segue em seu horizonte, como um sonho. Quando completou o ensino médio, a mãe passava por dificuldades. “Tive que priorizar o trabalho. Sou nova, posso tentar o vestibular daqui dois, três ou quatro anos”, planeja. Para ela, o convívio com os alunos e com o ambiente universitário serve como motivação para continuar estudando.