17032017 kung fu158 juliominasiEsforço, competência, trabalho duro, busca da perfeição. Significados normalmente associados à expressão kung fu e que, de forma geral, se estendem ao esporte. Ainda mais quando se trata de práticas para o alto rendimento e para a boa performance em competições.


A rotina de Jhonatan Bezerra prevê de 30 a 40 horas de treinos de kung fu wushu por semana. O estudante do quarto semestre de Educação Física é promessa da UnB em competições nacionais e internacionais. O jovem de 23 anos integra a seleção brasileira da modalidade e vai disputar o campeonato sul-americano, previsto para julho, no Uruguai.


Iniciou a trajetória esportiva na capoeira, mas o pai tirou o garoto e o irmão das aulas quando este quebrou o braço. Depois disso, Jhonatan viu “um pessoal fazendo umas coisas estranhas e engraçadas.” Foi atrás e descobriu o kung fu. O interesse completa 12 anos de treinamentos.


O atleta, nascido em Planaltina, destaca os benefícios da prática esportiva. “Os meus melhores amigos estão no kung fu. Também comecei a me relacionar melhor com as pessoas, a ser menos tímido.”


Apesar da dedicação aparentemente exclusiva, Jhonatan concilia o esporte com outros âmbitos de sua vida. É o primeiro da família a estudar em universidade pública. “Penso que a educação física seja uma forma de trazer saúde às pessoas. Quero dar aulas e melhorar a vida de crianças e adultos.”


Montar um grupo para divulgar o kung fu na UnB é outro objetivo do aluno. Acredita que os bons resultados e o apoio da instituição são caminhos para dar visibilidade ao esporte. Seu colega de academia, de seleção brasileira e de UnB – da Agronomia –, Gabriel Komaziro, de 20 anos, também está nessa missão. “A Universidade vem dando espaço e criando oportunidades para os atletas. O incentivo é fundamental para quem está na disputa e para tornar o kung fu mais conhecido.”

 

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Dedicação e disciplina também se aplicam à história de Lúcia Kobayashi. A professora e mestre em taekwondo é referência no Distrito Federal. Atua como técnica nos laboratórios de Fisiologia do Exercício e de Cineantropometria da Faculdade de Educação Física. Há quase duas décadas, ministra aulas de taekwondo para a comunidade universitária. Além de servidora, é graduada pela instituição, onde atualmente cursa o mestrado.


Na infância, chegou à faixa roxa no caratê, nível intermediário. Até conhecer e se apaixonar pelo taekwondo. “Achei dinâmico, havia mais interação, menos rigor. Ele carrega toda disciplina e respeito das artes marciais, só que é mais divertido, solto e ousado”, explica sua sedução pelo esporte das mulheres e homens voadores.


Ser mulher, inclusive, é ser minoria na modalidade. A servidora exemplifica a regra com a exceção. “Teve um momento no projeto de extensão que só tinha um homem, quando começamos a ofertar aulas para a comunidade, em 1998. Isso é raro e até histórico.”


Participou de campeonatos praticamente em todas as graduações do taekwondo, até que um mestre a orientou a se especializar dentro de uma das formas do esporte, o poomsae. “Eu tinha base no caratê e isso me ajudou. Me graduei faixa preta em 2005 e antes de 2010 era destaque”, revela. Foi campeã de três nacionais e participou do mundial de taekwondo poomsae na Colômbia (2012), com apoio financeiro da UnB. Chegou às finais de forma inédita para o esporte brasileiro.


O campeonato lhe abriu portas para consolidar seu nome dentro da área e para atuar como árbitra e palestrante em nível nacional, experiências que não estavam nos planos iniciais de Lúcia. A servidora ainda se dedica à tradução de regulamentos internacionais que orientam o esporte, com o intuito de auxiliar atletas brasileiros e desmitificar o taekwondo.