17032017 ProfaMarinaRossi27 BetoMonteiro

 

Marina Rossi, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Face) conseguiu um feito raro em sua trajetória acadêmica. Baiana de Salvador, concluiu a graduação em Economia em uma instituição privada em São Paulo e conseguiu ingressar direto no doutorado na Universidade Yale, nos Estados Unidos. Também particular, a instituição norte-americana não exige que os estudantes tenham cursado o mestrado para que comecem o doutorado.


“Eu era boa aluna na escola e na graduação, e sempre soube que queria fazer doutorado”, afirma. “Aqui no Brasil, temos a visão de que devemos fazer graduação, depois mestrado e depois doutorado. Mas, à época, minha irmã estudava Medicina nos Estados Unidos e, com a experiência dela, vi que lá as pessoas vão logo para o doutorado”, conta a docente, hoje com 28 anos de idade.


Com essa informação, Marina se empenhou para fazer intercâmbio durante o terceiro ano da faculdade e, na Universidade Columbia, em Nova Iorque, aproveitou para cursar matérias eletivas avançadas durante um semestre. “Nem era uma instituição parceira da escola. Me inscrevi por conta própria e passei no programa. Lá, pedi ajuda a alguns professores para escolher matérias que poderiam ser relevantes, dado que queria fazer doutorado depois”, relembra.


Durante o semestre em que ficou fora, Marina também aproveitou para pedir uma carta de recomendação – necessária para o processo seletivo de instituições americanas – para uma de suas professoras e acabou ganhando, além dessa, a de um dos docentes mais conhecidos no meio: Pierre-Andre Chiappori. “Quando falei com essa professora, ela disse que o Chiappori iria me dar a carta. Ao conversar com ele, pela segunda vez, me confirmou e falou que quando eu terminasse a graduação no Brasil, poderia aplicar para o doutorado. E foi muito por isso que consegui ir direto da graduação para o doutorado”, reconhece.


Ao longo dos cinco anos em Yale, também conquistou o título de mestrado. “Depois de cumprir certos requisitos do doutorado, você ganha o título de mestre”, explica.


E, nesse meio tempo, decidiu se casar. Quando ela terminou o doutorado, seu marido, também economista, foi convidado para trabalhar no Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Brasília. Um conhecido, professor da Face na UnB, avisou Marina que ia sair o edital para docente. Quando participou do concurso, ela não tinha nem o diploma ainda. “Saiu o resultado quando me formei. Quando fui chamada, já tinha o diploma”, conta, aliviada.


A docência na UnB é a primeira experiência de Marina em instituição pública. “Aqui temos que lidar com vários problemas. Tive que comprar computador, giz, projetor por conta própria. Fui dar aula no ICC, as tomadas não funcionavam. Foi um choque, nesse sentido. Realmente, a gente dá aula porque gosta”, constata.


“Outra diferença grande das minhas experiências anteriores é a polaridade que existe aqui. É bem mais heterogêneo do que em Yale, mas a convivência entre ortodoxos e heterodoxos é pacífica e acho isso super legal”, admite a professora de macroeconomia.


“Estar na UnB é viver a educação superior pública no Brasil. É resolver condições adversas para dar uma boa aula. É realmente testar o amor pelo magistério e mostrar o amor por aprender”, resume Marina.