22032017 iq naama19 juliominasiÁcido sulfúrico diluído, eletrodos de cobre, agitador magnético, fonte de energia e multímetro. Uma explosão? Não. Um experimento. Com as substâncias e os apetrechos, o técnico de laboratório Naamã Elias Augusto Alves auxilia alunos que cursam disciplinas no Laboratório de Ensino em Físico-Química. São os primeiros passos para determinar, na prática, a Constante de Faraday – constante física elementar – a partir de um processo que utiliza correntes elétricas na indução da reação química. Com essa e outras experiências, os estudantes descobrem que é possível tornar um pouco mais palpáveis as teorias assimiladas na sala de aula.


“Conseguimos compreender melhor o que enxergamos e o que tem aplicabilidade na nossa vida”, acredita Naamã, cujo nome tem origem bíblica. Todos os dias organiza a bancada do laboratório com recipientes diversos, prepara alguns experimentos e aguarda a chegada dos alunos para dar suporte nas classes.


A rotina é mantida desde julho de 2016, quando se tornou servidor da UnB. Mas o prelúdio de sua relação com a Universidade se deu quando ainda estava no ventre da mãe. Naamã, filho de técnico administrativo, nasceu no Hospital Universitário de Brasília. Mal sabia que seu futuro também estaria entrelaçado à instituição idealizada por Darcy Ribeiro. No ensino médio, descobriu na química uma atração particular, favorecida pela facilidade com as Ciências Exatas. Paixão que continuou a nutrir por outros tantos anos como estudante do bacharelado na área e, depois, pesquisador da UnB.


“Mexer com a química é muito divertido. Você vê como as coisas se comportam, como misturar dois líquidos incolores e obter um líquido colorido, ou misturar dois líquidos e obter um sólido. Isso é muito curioso”, explana o jovem de 28 anos, atualmente doutorando em Tecnologias Química e Biológica. Foi o que o motivou a seguir a carreira, mesmo sabendo das dificuldades encontradas com o mercado de trabalho escasso em Brasília. A outra justificativa é ainda maior: quer ser um dia professor da UnB.


Enfurnado em seu curioso laboratório, transforma-se em verdadeiro alquimista. E outras substâncias de nomes complexos dão o ar da graça. Nitrato de sódio, oxalato de cálcio, sulfato de magnésio, ácido etilenodiaminotetracético. O ambiente respira experiência. O técnico em laboratório vivencia no dia a dia o prazer de exercer a profissão que ama, cercado por aprendizes que passam manhãs e tardes a desvendar as maravilhas da ciência. “É muito bom trabalhar com o que você gosta. Você recebe para se divertir”, garante ele. No trabalho, encontra, assim, um refúgio para o próprio aprendizado.