16032017 ppne joseroberto39 betomonteiro“Pensei em desistir de tudo.” A ideia veio à cabeça de José Roberto Fonseca Vieira na primeira semana da licenciatura em Computação, em 2003. O que parecia tarefa relativamente simples para muitos, como tomar um ônibus até o campus Darcy Ribeiro e se deslocar a uma das salas no subsolo do ICC Centro, era um verdadeiro desafio para o cadeirante.


Sentiu na pele as dificuldades de se tornar estudante de graduação em um espaço com pouca acessibilidade. Já estava habituado aos obstáculos. A formação tardia em escola pública havia lhe mostrado a face do desestímulo e da falta de estrutura na educação para pessoas com deficiência. “As condições de permanência na UnB não eram nada próximas das que temos hoje. A própria estrutura de transporte do Distrito Federal era precária.”


Descia as escadas do Minhocão carregado pelos colegas. Não havia elevador. “Contar com a solidariedade não é algo negativo. Você enriquece as pessoas a sua volta e passa a ver que elas estão dispostas a ajudar.” O apoio de amigos, familiares e, com o passar dos anos, da própria instituição foi essencial para que não abandonasse a Universidade.


Hoje, coordenador do Programa de Apoio a Pessoas com Neces-sidades Especiais (PPNE), José Roberto trabalha para garantir os direitos e fazer a diferença na vida de estudantes com deficiência que chegam à UnB. “Nosso papel é fazer com que as pessoas acreditem nelas mesmas, nas suas potencialidades. Temos que fazer com que as deficiências não sejam o fator que as levará a desistir ou abandonar a Universidade.”


O envolvimento com o PPNE, desde a primeira graduação – trocada depois pelo curso de Serviço Social – e, sobretudo, ao se tornar técnico administrativo, foi essencial não só para se conscientizar sobre as iniciativas de amparo. José Roberto viu uma chance de se engajar no processo de transformação do espaço acadêmico. “Na época, o grupo de estudantes com deficiência na UnB era muito forte, articulado e politizado. Muitas ações foram conquistadas.”


Revezava seu tempo entre resolver demandas da Faculdade de Ciências da Saúde, onde trabalhou inicialmente, e participar de um grupo de trabalho, constituído por alunos, no planejamento de ações gerenciais do programa. Não demorou a assumir a coordenação do projeto. A necessidade de maior dedicação como líder fez com que conseguisse, anos depois, ser transferido para atuar exclusivamente no PPNE. “Considero a UnB como minha casa. É um trabalho que gosto e vejo sentido em fazer.”


Com quase 15 anos de instituição, reconhece os desafios pela frente para tornar a UnB mais inclusiva e estruturada para receber a diversidade. Ainda assim, deixa uma mensagem aos que lutam a cada dia para conquistar espaço: “As pessoas não podem acreditar no que os outros dizem do que elas podem ou não fazer. Você conhece os seus limites”.