07032017 07032017 maria madalena beatrizferraz44 beatrizferrazO método Paulo Freire mudou a vida de Maria Madalena Tôrres, hoje com 54 anos. Ainda no ensino médio, participou de curso sobre redação para a libertação, oferecido por alunos de mestrado da Universidade de Brasília. A partir daí, sua relação com o educador – e com a UnB – passou a ser umbilical.


“Não tive muitas oportunidades na minha infância pobre e negra. Esses alunos da Universidade chegaram e começaram a nos incentivar, plantando uma semente.” Nascia, assim, sua missão de alfabetizar jovens e adultos.


Educação, militância e movimentos sociais estão no DNA de Madalena. Ceilândia é sua paixão. Nascida em Divinópolis (Goiás), mudou-se para o Distrito Federal com oito anos. Morava em um barraco, em lote cercado de arame farpado. “Ceilândia tinha apenas oito meses. Não havia água. Quando fazia sol, era só poeira. Na chuva, muita lama. Foi uma época difícil”, lembra.


Tornou-se professora da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Está aposentada desde 2010 em decorrência de um câncer de mama e outras complicações. Mas seu trabalho de educadora começou muito antes.


É uma das pioneiras do Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia (Cepafre), que já alfabetizou mais de 15 mil jovens e adultos, além de promover a formação de professores. Integra o Grupo de Trabalho Pró-Alfabetização do Distrito Federal (GTPA/Fórum EJA). Também participou do Conselho Comunitário e do Conselho Universitário da UnB. Atualmente, é membro do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ceilândia (FCE).


Em relação à Universidade, sua principal bandeira é pela aproximação mais efetiva entre instituição e comunidade. “Pensar em como a pesquisa, a extensão e o ensino podem olhar para as demandas que emergem da sociedade e apontar soluções para os problemas reais que afetam as pessoas. O nome disso é compromisso social.”


Uma dessas demandas, segundo Madalena, é a implementação de novas graduações na Faculdade de Ceilândia. “A construção do campus é uma conquista da e para a comunidade. Precisamos de cursos que também respondam ao trabalhador.” Atualmente, a FCE concentra graduações na área de saúde.


Especialista e mestre pela UnB, a aposentada pensa em fazer doutorado na instituição, objetivo que deixou adormecido quando descobriu o câncer. Pretende pesquisar movimentos sociais, Ceilândia e suas contradições. Acredita que essa pode ser sua contribuição para a Universidade ir além de seus muros e “colocar o pé na poeira, na lama e no asfalto”.