13032017 marcosvinicius4 beatrizferrazFormado pela primeira turma de Medicina da UnB, aluno mais jovem da época, representante dos estudantes na cerimônia de 50 anos do curso. Depois da carreira consolidada, retorna à Universidade de Brasília para fazer outra graduação, além de mestrado e doutorado. Trajetória que credencia Marcus Vinicius a escrever um livro sobre diversos momentos da instituição.


A história, entretanto, não acabou. Sempre há algo mais para contar na família Novaes Ramos. A esposa formou-se em Jornalismo na Universidade, onde os dois filhos e a nora são professores. “Aqui em casa é metodologia científica aplicada a tudo. Sinto-me feliz por participar disso”, comenta a matriarca Maria Clara. Na Comunicação, ela ficou de 1969 a 1972, mas acabou não seguindo carreira. O curso não correspondeu às suas expectativas e, logo depois da graduação, ela e o marido foram morar fora do país.


Marcus Vinicius entrou para a Faculdade de Medicina em 1965 e teve sua passagem marcada pela repressão da ditadura militar. Viu professores sendo demitidos, alunos perseguidos. Foi preso, quebrou o tornozelo. Apesar da violência, ainda lembra dos bons momentos pelos quais passou. “O curso começou com um cunho fortemente social, uma visão integrada de cuidado e de saúde, sob o ponto de vista médico, psicológico e humano.”


Decepcionado com os rumos do país durante os anos de chumbo, foi para os Estados Unidos, onde especializou-se em Radiologia. Retornou ao Brasil anos depois. Criou os filhos – que também se formaram na UnB – e então resolveu voltar para uma antiga paixão, a história. Próximo dos 60 anos, fez vestibular e passou. Seguiu o mestrado e o doutorado na área. O trabalho de conclusão de curso e a tese de Marcos transformaram-se em livros.


“Foi uma excelente experiência. Os médicos normalmente se sentem um pouco deuses, donos das decisões. Têm visões estreitas da vida. A história é uma bonita área e me comprovou que existem várias versões de um mesmo acontecimento, depende de quem olha, de como se convive com outro”, destaca.


A primogênita Paola Novaes Ramos aponta que sua relação com a Universidade é visceral. “Meus pais se conheceram pela instituição. Sou filha da UnB.” Escolheu graduar-se em Ciência Política pela abordagem inovadora e original do curso ofertado em Brasília. Seu mestrado e doutorado também foram na Universidade. Apesar das escolhas conscientes, a professora acredita que a “família é apaixonada inconscientemente pela UnB”. Atualmente, ela faz pós-doutorado em Miami e está licenciada do cargo de docente do Instituto de Ciência Política.


O irmão Guilherme foi da primeira turma de Engenharia Mecatrônica da UnB. Ganhou bolsa de estudos e concluiu mestrado e doutorado em um dos principais centros de tecnologia do Japão. Tornou-se docente do Departamento de Ciência da Computação. “Gosto do que faço, tem seis anos que dou aulas e é uma grata surpresa porque não estava nos meus planos.” Embora reconheça o privilégio de ser professor na Universidade, demonstra descontentamento com os problemas técnicos e burocráticos da instituição, principalmente, os relacionados à estrutura física e à captação de investimentos para o financiamento de projetos.


Ainda no Japão, Guilherme conheceu Doralina Rabello. Graduada em Odontologia, possui doutorado na área de Patologia Molecular. Casaram-se em 2009 e acabaram vindo para Brasília. O marido passou no concurso da Universidade e ela fez pós-doutorado na Faculdade de Ciências da Saúde. Há um ano e meio, é professora concursada da Faculdade de Medicina. “Quero me aperfeiçoar cada vez mais como docente e atuar na inserção dos alunos na comunidade e na área de pesquisa em câncer”, projeta Dora.


Marcus Vinicius segue otimista. “A UnB é maior que qualquer um de nós. É a casa de milhares de pessoas, como é da minha família. Quero que acreditem na possibilidade de mudar esse país”, resume.